Giro
Mundo Escola
Portal 180º


Por Gabriela M.O.

 

Imagina só poder conhecer seus ídolos da alta costura e da fotografia, participar de grandes eventos culturais, almoçar nos restaurantes mais badalados do mundo e ver com seus próprios olhos as construções antes vistas apenas nas gravuras dos livros ou nos documentários da televisão. Até parece férias de jetsetters, mas tudo isso pode fazer parte de uma viagem de estudos.

 

Não existe nada melhor do que ter aulas de design com os geradores de tendência para se aprofundar na sua área de conhecimento. Existem certas profissões em que é quase imprescindível visitar outros lugares do mundo. Fica muito mais fácil ser um expert em arquitetura quando se conhecem de perto os castelos europeus. Uma experiência desse tipo vira um ponto positivo no currículo, principalmente em assuntos relativos a moda, gastronomia, decoração e fotografia.

 

Por isso, às vezes vale mais a pena investir em cursos no exterior e viajar para voltar com cultura na bagagem do que ficar batendo a cabeça por aqui e correr o risco de ficar estagnado. Até porque há períodos em que parece que a vida não está correndo bem pelos trilhos. Principalmente para quem já se formou, está trabalhando, sabe exatamente o que quer, mas não sente que a etapa pós-faculdade esteja fluindo como planejado. Nesses casos, uma especialização no exterior pode virar um diferencial na hora da busca por um novo emprego. Mas o mais importante é pensar no que uma viagem de estudos pode agregar à qualidade do trabalho e não alimentar a ilusão de que ela será garantia na busca por um aumento de salário.

 

Arquitetura com Leonardo da Vinci

 

As lições dos professores da Faculdade de Arquitetura fizeram Márcia Teixeira literalmente viajar. Ela trancou os estudos aqui e fez as malas para a Itália, onde viu tudo aquilo pelo que era fascinada: o Coliseu, os duomos, as piazzas, a Ponte Vecchio. Ainda admirou o museu ao ar livre que é a cidade de Florença, “com uma obra de arte a cada esquina”, lembra. Durante meio ano, Márcia fez o curso de Design de Interiores na Art e School – Firenze, e teve uma experiência que a faculdade nunca poderia lhe proporcionar. Explorou outras cidades europeias, como Paris, Berlim, Praga, Amsterdã, Viena, Milão, Roma, Munique e Mônaco, onde aprendeu história e estilos arquitetônicos. Uma boa aula também foi conhecer estudantes e profissionais do mundo inteiro: “Poder compartilhar experiências é algo que somente um estudo fora do país pode dar”, conta. Ela voltou, finalizou a graduação, e hoje tem seu próprio escritório de arquitetura. Em breve, pretende ter tempo para fazer outra especialização. Onde será seu próximo destino?

 

Gastronomia com Harald Ruessel

 

Para Vico Crocco, sair do Brasil bem focado e se conectar com pessoas de todas as classes sociais não tem preço, pois o contato visual e a vivência fora são insubstituíveis. Depois de um ano em Nova York, ele foi atrás da cultura de seus antepassados, na Alemanha. Estudou engenharia em uma puxada universidade técnica de Munique, onde aprendeu o verdadeiro significado de “estudar” e de ter responsabilidades. Mas encontrou o seu destino mesmo na cozinha. Como sempre adorou elaborar pratos distintos e caprichar nos temperos, se formou na escola de gastronomia JRE Akademia e foi contratado pelo restaurante Landhaus St. Urban. “Viver e estudar fora é uma decisão para quem é corajoso, em momentos bons ou difíceis”, aconselha.

 

Moda com Dolce&Gabbana

 

Barbara Mattivy optou pela pós-graduação em Comunicação de Moda e Relações Públicas em Milão. A jornada foi em busca por qualificação e aptidão profissional em um país que é referência na indústria. A maioria dos mentores que teve trabalhava para importantes marcas. Um deles era encarregado de organizar desfiles como os de Prada, Gucci, Burberry e Miu Miu. “Ele sempre nos contava todas as fofocas do backstage, principalmente da Miuccia”, relata Barbara, empolgada. Mesmo quando não conseguia convites, ela ia atrás de desfiles por iniciativa própria, onde tentava se infiltrar. Conseguiu entrevistas fantásticas, como com Scott Schuman (o Sartorialist), as tops famosas Chanel Iman e Angela Lindval, Karl Lagerfeld, Tim Blanks, Anna Piaggi, entre outros que não teria nem chegado perto se não tivesse investido na viagem. Ao final do curso, marcas líderes entraram em contato com a escola chamando alunos para participar de processos seletivos. Alguns de seus colegas foram trabalhar com Vivienne Westwood, Chloé e Valentino. Atualmente, Barbara trabalha na Diesel, em Londres e mantém o blog www.mycool.com.br “Com certeza nada disso teria acontecido se eu tivesse cursado minha pós no Brasil, pelo simples fato de que estamos megadistantes desse burburinho todo e ainda não somos parte importante na indústria” – dá a dica.

 

Fotografia com Richard Avedon

 

Algumas dessas opções parecem caríssimas, e os custos podem pesar no orçamento. Mas Clara Fialho conseguiu tudo de graça. Ou pelo menos as mensalidades da instituição de ensino. Na segunda tentativa, ganhou uma bolsa de estudos para uma importante escola de artes, engenharia e arquitetura em Nova York, a Cooper Union. Dentro do curso de artes, ela encontrou sua vocação na fotografia e no desenho. Com ótimos professores e um trabalho puxado, de quase 24 horas ao dia durante sete dias por semana, ela adquiriu uma boa noção de disciplina e recebeu, em 2006, o Bachelor of Fine Arts. “Tenho muita sorte de poder viver do que eu gosto e de estar sempre conhecendo lugares e pessoas interessantes, que de maneiras distintas estão envolvidas no mundo da arte, mas todas tendo em comum o objetivo de contribuir para o mundo ao seu redor”, conta Clara, que ainda vive em Nova York, uma cidade com uma gigantesca diversidade cultural.

 

A ciência é mundial

 

Não somente nas áreas ligadas às artes vale a pena buscar especialização. A ciência também clama por intercâmbio de conhecimentos e técnicas e por bons relacionamentos com pesquisadores de diversos países e áreas de abrangência. Apesar de o Brasil atualmente estar bem cotado em diversos campos da ciência, ainda assim os profissionais se deparam com a falta de verbas e de condições de trabalho. A bióloga Marina Defferrari viu no mestrado uma oportunidade para compartilhar seus conhecimentos na cidade de Mississauga, em Ontário, no Canadá. “Nós, estudantes de pós-graduação, devemos nos deslocar para aprender com os especialistas do mundo afora”, acredita. Um de seus orientadores foi um aclamado pesquisador. Marina teve chance de assistir a palestras com ganhadores de prêmios Nobel. “É o diferencial na carreira que seguimos e agrega muito ao currículo, sem contar que, ao morar em grandes centros culturais mundiais, presenciamos eventos que não temos chance com tanta frequência por aqui”, diz Marina. Durante o tempo em que esteve no Canadá, nos seus dias de folga, assistiu a shows como de Neil Young.



Tag: intercâmbio, termômetro, jovem, estudo, exterior.


 



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