Primeiro passo: tem que ser bom aluno, já que o primeiro requisito é ter todas as notas acima da média da sua escola no Brasil, ou entre A e B. Todas. Segundo passo: nada de inglês básico, tem que ter pelo menos o nível intermediário. E se souber falar uma terceira língua melhor ainda. E tem que gostar de mergulhar ou saber nadar. Agora vamos às proibições: não pode beber, fazer festa ou viajar sozinho. Você só pode levar uma mala e aparelhos eletrônicos são proibidos. Internet e telefone celular nem pensar. Pelo menos por 6 meses. Calma, não é um teste pra entrar na NASA, mas tá quase lá. Trata-se do Class Afloat, programa de high school que dura um ano e se passa metade em terra firme, numa escola canadense, e a outra metade num veleiro. Isso mesmo, não é um navio super espaçoso com 400 pessoas não, é um veleiro escola que hospeda 48 estudantes e 17 funcionários em acomodações simples e confortáveis. É, não é pra qualquer um: o esquema é super restrito e a história toda começa em setembro ou janeiro, quando, depois de atender a todos os requisitos, passar pelo slep test e por uma entrevista pelo telefone, os 48 alunos são selecionados.
Nos primeiros seis meses do programa os estudantes que vêm de diversas partes do mundo moram e estudam na West Island College, colégio particular na charmosa Lunerburg, em Nova Scotia, Canadá. Lá eles cursam o primeiro semestre do 1˚ ou 2˚ do Ensino Médio e depois de seis meses estudando direitinho, fazendo todo o dever de casa e voltando pro alojamento no horário estabelecido, os 48 alunos embarcam no Concórdia, veleiro construído pra ser uma escola em alto mar. Enquanto o veleiro sai de Lunerburg em direção a França, os alunos estão hasteando as velas e limpando o convés. Ali dentro todos trabalham e cuidam pra que tudo funcione bem. E o dia começa cedo: às 7hs da manhã já estão todos em pé para ajudar a pilotar, fazer comida, limpar quartos e banheiros. Tem até vigília noturna. As aulas vão das 9 às 15hs e seguem o calendário canadense. E podem acontecer no refeitório, no deck, ou debaixo d’àgua. O Concórdia passa de 3 a 20 dias em alto mar e seu trajeto muda a cada semestre, mas basicamente ele percorre o Oceano Atlântico, passando pelas Américas, África e Europa. E a partir daí a gente começa a falar da parte boa que supera todas as obrigações impostas. É que num espaço tão pequeno com tanta gente diferente, se as regras não existirem vira caos, né?
Durante as paradas os estudantes não têm aulas. Eles conhecem os lugares, passeiam e assistem a apresentações culturais. A bordo, além das matérias normais, eles têm aula de oceanografia e biologia marinha. No Senegal, na África, todos participam de um projeto que faz parte do programa, com crianças de um vilarejo. Lá, os alunos prestam serviço e fazem doações. Ao todo são quase 10 países em 6 meses desse big brother em alto mar. Aliás, uma das regras é que no Concórdia não pode existir problema sem resolução: “aqui tudo tem que ser falado, discutido e resolvido. Num espaço pequeno, em que ficamos juntos o tempo todo, durante 20 dias sem parar em um porto às vezes, não podemos ter situações de tensão sem resolução” conta uma das professoras. Nenhum estudante brasileiro participou do programa até agora. Box: Faça o teste de Inglês sem compromisso em uma das lojas STB. Quem sabe suas próximas aulas não são em alto mar?
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