Giro
Londres - Por que te quero?
#18 - Julho/Agosto - 2009


Por: Andréa Azambuja

 

No século XVII, o escritor inglês Samuel Johnson disse que “quem está cansado de Londres está cansado da vida”. Mais de 300 anos, duas guerras mundiais, uma british invasion na música e muitas outras transformações depois, uma característica da capital inglesa continuou intacta: Londres tem vida pulsando em todos os seus cantos. O poeta sabia do que estava falando. O idioma oficial é o inglês, mas em nenhum outro lugar você vai ouvir tantas línguas e ver tanta gente diferente misturada. Se existe um centro do mundo, este é Londres.
Além dos ingleses de calças justas até embaixo, cortes de cabelo incrementados e estilo inconfundível, há indianos, australianos, turcos, latinos, americanos, brasileiros, chineses, japoneses e europeus em geral por todos os lados. E é essa mistura, aliada à intensa vida cultural, bares, museus, shows, parques, feiras, teatros, festivais e incríveis prédios históricos que faz de Londres um dos lugares mais legais para estar.

WELCOME TO LONDON!
A maioria dos pontos turísticos de Londres se concentra no centro, e muita coisa dá pra fazer a pé. Primeira dica para desvendar a cidade: bote um mapa na mochila, porque você vai se perder! Os pontos de partida mais comuns são o Big Ben e a London Eye, cartões-postais famosos da cidade, que ficam perto da tube station (como é chamada a estação de metrô) de Westminster, acompanhados pelo rio Tâmisa.

Seguindo da imensa roda gigante, onde, ao lado, fica o Dali Universe (uma exibição permanente que vale muito a pena pra quem gosta do genial e maluco artista), até London Bridge, você encontrará uma das zonas mais gostosas para caminhar, tomar um café e apreciar a beleza e majestade de Londres. No caminho está o South Bank Centre, complexo cultural e spot clássico para os skatistas, o Tate Modern, museu de arte moderna e contemporânea imperdível pela coleção e pelo prédio (uma antiga estação de energia), e o Shakespereare’s Globe, reconstituição do teatro original onde Shakespeare encenou suas peças. Olhando para o outro lado do rio, depois da Ponte do Milênio, você verá a cúpula da Saint Paul’s Cathedral, uma das mais famosas catedrais da Inglaterra. Seguindo em frente está a Tower Bridge, já na área de London Bridge, onde centenas de pessoas estendem suas cangas durante o verão, tiram das sacolas as garrafas de vinho rosé e aproveitam o solzinho nem sempre tímido da capital inglesa. Nessa zona estão prédios de fachada moderna, restaurantes, pubs e o Design Museum, um dos poucos museus do mundo dedicados ao estudo do design.

Mudando de direção, pode-se conhecer o ritmo frenético do dia a dia dos londrinos. A esquina dos famosos e caros painéis de neon de Piccadilly Circus é uma das áreas mais movimentadas da cidade e o centro do West End. Sob o olhar amigo de Eros, anjo de misericórdia e amor equilibrado no topo do chafariz e marca registrada da capital, Piccadilly sinaliza a entrada da zona de entretenimento de Londres. Faça pose, tire uma foto e escolha o seu destino. Seguindo pela Shaftesbury Avenue, à sua esquerda estará o Soho, famoso reduto gay e o bairro mais multicultural de Londres. Lá fica a Chinatown e é onde se concentram teatros, restaurantes, boates, livrarias, lojas alternativas, cafés, cabeleireiros estilosos e barzinhos pé-sujo frequentados por artistas, boêmios, posh people (os mauricinhos e patricinhas), hippies, hare krishnas, gays, lésbicas, simpatizantes e todos os tipos de loucos que se pode imaginar. Se você encontrar algum famoso na sua estada, provavelmente vai ser por lá, onde tudo muda quando o sol se põe. À direita, a praça mais popular de Londres: Trafalgar Square, local onde é realizada a maioria das reuniões públicas e onde descansa a National Gallery, uma das grandes galerias de arte do mundo.

Quer ir ao cinema ou ver astros hollywoodianos desfilando no tapete vermelho das grandes pré-estreias cinematográficas em solo inglês? Seu destino é a Leceister Square, calçadão que também abriga pubs e cafés, além dos maiores cinemas da capital. Uma dica pra quem não quer gastar muito dinheiro é o Prince Charles, com outra proposta (filmes cult e reprises) e o ingresso mais barato que se pode encontrar, pela bagatela de 4 pounds, em média. A menos de 5 minutos dali se abanca o mercado de Convent Garden, atração imperdível de Londres, especialmente no verão. Centenas de visitantes e moradores se concentram na piazza noite e dia para desfrutar cafés ao ar livre, artistas de rua realmente engraçados, lojas sofisticadas e shows de graça, desde música clássica a rock. Por ali, procure os sensacionais cookies do Ben’s Cookies, que mais parecem bolinhos com recheio que derretem na sua boca e na sua mão. Uma passada por Oxford Street e uma boa parte de Londres já foi vista. Esta é a maior rua comercial, que abriga dezenas de megastores, lojinhas de souvenirs e milhares de pessoas se atropelando na pressa de ir para algum lugar muito importante. Se você pensa que na Inglaterra todo mundo é educado e cheio de protocolo, esqueça; a ordem aqui é sair atropelando e pedir desculpas depois.

O PINT NOSSO DE CADA DIA
Se muitos dos conceitos que temos sobre os ingleses não condizem com a realidade, como a ideia de que eles são esnobes, moralistas e as pessoas mais pontuais do mundo, um fato que se confirma é que eles bebem demais. Ir para um pub depois do trabalho é sagrado, e chega a surpreender o quanto a mulherada consegue beber e acompanhar os colegas. Quatro cervejas, duas taças de vinho, um spritzer (mistura de vinho com soda ou lemonade, tipo Sprite, comum entre o público feminino), quatro double vodkcas, dois shots de Sambuca, e por aí vai. Os pubs são mania nacional e estão espalhados por todos os lados. As bebidas mais comuns, servidas nos tradicionais pints (copos de 0,75 litro e uma verdadeira instituição na Europa) ou half pints, são as lagers (cervejas amarelas e leves, como as nossas), bitters (amargas e servidas meio quentes), larger top (com lemonade) e a cider, bebida dos punks, feita com a fermentação de maçãs ou peras. A maioria dos pubs em Londres fecha à meia-noite, mas alguns têm licença para funcionar até mais tarde, especialmente no Soho. Um dos mais antigos da cidade é o Lamb and Flag, em Convent Garden, e outro bem legal é o Waxy O’ Connor, antiga igreja com árvores falsas dentro entre Leicester Square e Piccadilly. Com esse número infinito de opções, o melhor mesmo é escolher uma área e fazer um pub crawl: ir passando de um em um experimentando cervejas diferentes. Aí, claro, um Engov antes e um depois vai bem.


I BET YOU LOOK GOOD ON THE DANCE FLOOR
Estamos na capital do país que nos deu de presente The Who, Sex Pistols, Oasis, Smiths, Radiohead, Fatboy Slim, Beatles, Arctic Monkeys, Joy Division e por aí vai... A cena musical em Londres é muito forte, e há shows praticamente todos os dias. É o paraíso pra quem gosta de música e a grande chance de você ver a sua banda preferida tocando em algum micropalco underground no meio dos fãs. Festas de indie-rock, com ou sem show, não faltam, de segunda a segunda, arrastando o público a bares como Barfly (Camden Town), The Roxy (travessa de Oxford Street), Koko (Camden), Punk (Oxford St.) e outros tantos.
Além de rock, a música eletrônica também bomba em Londres, e os clubes são famosos por inovar e lançar moda no mundo todo. A maioria fica aberta até umas 8h da manhã, muitos até o meio-dia e alguns outros apenas começam a funcionar a partir desse horário, recebendo a galera frita vinda de outros lugares. Quem gosta de fazer festa sem hora para acabar com certeza não vai se decepcionar! Fabric (Farringdom), Ministry Of Sound (Elephant and Castle), Matter (O2 Arena), 93 Feet East (Brick Lane), Herbal (Shoredich) e Aquarium (Old Street) são alguns nomes que atraem os baladeiros incansáveis, além das famosas squat parties, festas em lugares escondidos que só são encontradas por meio de um número de celular divulgado boca a boca que libera o endereço, diferente a cada semana.

LONDON IS BURNING!

Camden Town, Brick Lane, Old Street e Shoredich – essas são as zonas underground e modernas de Londres, onde tudo acontece. Uma boa reconhecida por essas bandas é indispensável pra quem gosta de moda, festa, arte, liberdade criativa e novidades da cena alternativa. Depois de conhecer, pode confiar: você não vai querer ir embora! Camden é o reduto rock and roll, onde circulam punks, gente tatuada, cheia de piercings, e onde ninguém dá a mínima para o que você está fazendo. A efervescência de Camden sempre atraiu a atenção dos boêmios, junkies e da cena musical de Londres, e pelos seus palcos já se apresentaram os maiores nomes da música mundial que se pode imaginar. Pra quem gosta, foi lá que recentemente tocou a Little Joy, banda do músico do Los Hermanos Rodrigo Amarante. Não deixe de conferir o style dos tiozões de suspensórios cheios de tatuagens tocando o melhor dos funks antigos no Elephants Head (na Main Road), a festa de domingo do Dublin Castle e as funções na Proud (antigo estábulo e hoje galeria de fotos e bares no mercado de Camden).
Gente estilosa para todos os lados, galerias de arte, grafite, brechós, lojas com as roupas e sapatos mais legais da história, todos os vinis e CDs que você gostaria de ter e bares e noites pra todos os gostos: assim é Brick Lane, o lar underground da juventude transviada de todo o mundo que se reúne em Londres. Entre os diversos pousos que se pode dar por lá, fica a dica do The George Tavern (373 Commercial Road), bar garageiro com som de vinil e sem tantos turistas que já levou celebridades como Kate Moss, Amy Winehouse e Pete Doherty a fazerem campanha para o local não ser posto abaixo. Perto dali, Old Street, Shoredich (passe por Hoxton Square e beba umas no Foundry e no Jaguar Shoes) e suas transversais completam a teia que concentra a juventude alternativa e vanguardista da capital inglesa.

PROGRAMA DE FIM DE SEMANA

Não importa quantos pints você tomou na noite anterior e o quanto a ressaca está fazendo a sua cabeça latejar. Estando de passagem por Londres, conhecer os mercados e parques no fim  de semana é obrigatório. No sábado, o mais famoso é o de Portobello Road, em Notting Hill, quando o mercado de frutas é acrescido de antiguidades, mercadorias de segunda mão, roupas, acessórios e todos os tipos de objetos para casa. É um ótimo lugar para pechinchar e comprar roupas de brechó com cara de que só tem em Londres. Menos turística e ótima é a feira de sábado do Broadway Market, em Hackney. É como uma Brick Lane menor e com menos turistas, onde delícias de todos os tipos aguçam o paladar e gente bonita é colírio para os olhos. No domingo, o mercado de Brick Lane (Aldgate East) divide as atenções com o Camden Market, ambos oferecendo quitutes de diferentes nacionalidades, roupas, acessórios, discos, quadros e uma infindável variedade de objetos que fazem o dinheiro pular da sua mão e a sua bolsa se encher de bugigangas fofas.
Destino perfeito pra quem quer descansar, deitar, rolar, relaxar e botar a cara no sol, os parques são bem cuidados, lindos e estão espalhados em todas as zonas de Londres. Os mais famosos são o Hyde Park, o Regent’s Park, o St. James’ Park, o Hampstead Heath, onde se pode nadar, e o Greenwich Park – zona afastada e muito legal, com restaurantes, lojas e onde fica o meridiano que determina as horas na Terra. Passeio mais do que recomendado. Experimente também o London Fields e o parque de Clapham Common, reduto jovem cheio de bares.

PASSEIOS ECONÔMICOS
Apesar de ser considerada cara, Londres oferece diversos programas culturais para quem não quer gastar muito dinheiro, e a maioria dos museus é de graça. Não deixe de reservar um tempo para visitar pelo menos alguns, de acordo com seu interesse. Os mais legais são o British Museum – com múmias, pirâmides do Egito e objetos da Grécia e do Oriente Médio, bem impressionante –, o Tate Modern – de arte moderna e contemporânea –, o Victoria and Albert – com a maior coleção de objetos de decoração e arte do mundo –, e o Imperial War Museum – principalmente sobre a I Guerra Mundial. Também entram nesta lista o Science Museum, o Natural History Museum e, por fim, a National Gallery – atração imperdível, nem que só para se dar uma olhada.
Ainda de graça, visite o palácio de Buckingham (Green Park), residência oficial da família real, e veja a pomposa troca da guarda. Fora isso, garanta a foto com as clássicas cabines telefônicas vermelhas e dê pelo menos uma voltinha nos ônibus de dois andares. Não-gratuitos, os teatros compensam o investimento, e vale ir a pelo menos um para ter ideia de como é a Broadway de Londres. No verão, uma boa opção é assistir a uma peça old fashioned no Shakespeare’s Globe.

HORA DE GASTAR
Veio com uma grana boa no bolso ou está acabando a viagem com alguns trocados? É hora de gastar! Para comprar roupas, lojinhas vintage estão aos montes nas zonas mais alternativas (Brick Lane, Camden, Soho...) e misturadas com grandes grifes em Convent Garden. Oxford Street concentra as grandes megastores e a maior Primark, loja com os preços mais ridiculamente baratos do mundo. Na Ox. St. também estão algumas HMV, paraíso pra quem gosta de CDs e DVDs, que não pode perder também a Rough Trade (Brick Lane), uma das lojas mais legais de discos da cidade.
Tottenham Court Road é o spot para a compra de eletrônicos, e Charing Cross é passagem obrigatória pra quem ama literatura, com dezenas de grandes lojas e sebos de raridades. Em Holborn, 117 Clerkenwell Road, fica a Magma, para os que procuram livros de fotografia, de design, camisetas e objetos de layout moderno. Completando o circuito de compras, não deixe de ir a Carnaby Street (perto da Regent St.), mesmo que só para passear. A histórica rua dos mods dos anos 1960 continua popular entre os consumidores de plantão por oferecer marcas internacionais, descoladas e de estilistas famosos, além de restaurantes agradáveis.

I ALWAYS CRY AT ENDINGS
A ideia de ir embora de Londres é tão atrativa quanto o alho ao vampiro. Não dá vontade de partir! Para conhecer bem a cidade, o bom é ficar no mínimo uma semana, mas o ideal mesmo seria uma vida. Se você se considera uma pessoa essencialmente urbana, quer praticar o inglês e pretende morar na Europa, mas não sabe se deveria ir para a Irlanda, ou ainda tem dúvidas se o melhor mesmo não era se mandar para a Austrália ou Nova Zelândia, não hesite e escolha Londres, a capital cosmopolita e colorida da Inglaterra. Mais do que se divertir, encontrar gente de todas as partes, deparar-se com cenários incríveis e conhecer o tradicional estilo inglês de viver, você estará dando um passo gigante no seu crescimento pessoal e, principalmente, fazendo um investimento em sua vida.



Tag: londres inglaterra.


 



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