Por: Piero Barcellos
“O Otávio Mesquita foi no show hoje e disse ‘Danilo, quando comecei a carreira era assim igual você’ eu disse ‘por favor, não me desanima’".http://twitter.com/danilogentili“Acabei de ver um livro na banca do aeroporto: O Sucesso está no equilíbrio. Mas por que será que tem tanto malabarista mendigando no semáforo?”http://twitter.com/danilogentili“Na 4ª série a professora me disse: ‘Você precisa estudar se quiser conseguir um bom trabalho’. Eu respondi: ‘E se eu quiser ser professor?’”http://twitter.com/danilogentiliDanilo Gentili é um dos integrantes da nova safra de humoristas oriundos do stand-up comedy. Desde 2006 ele realiza apresentações do gênero, seja sozinho ou com o Clube da Comédia Stand-Up, um coletivo de humoristas que se revezam no palco. A experiência do humor rápido, inteligente e irônico lhe rendeu um convite para integrar a equipe do programa Custe o Que Custar (CQC) na TV Bandeirantes.
Sua primeira participação foi fazendo o quadro Repórter Inexperiente, em que cometia gafes propositais na frente dos entrevistados, levando-os ao constrangimento. Hoje ele faz o Fiscal do Congresso, questionando políticos com perguntas ácidas e desestabilizadoras; e já participou de matérias internacionais, como a cobertura do Festival de Tinku*, na Bolívia. É difícil tirar uma resposta séria de Gentili, mas nós tentamos:
Quando foi que você decidiu adotar o humor como profissão?
Danilo Gentili - Eu fui na creche das profissões e o humor estava lá passando fome... Aí pensei: Vou adotá-lo.
Como surgiu a oportunidade de trabalhar com o CQC?Danilo Gentili - O Diretor do programa me viu fazendo show num bar e convidou. E eu dei sorte que era num bar. Se ele não estivesse bêbado não teria convidado.
Você começou no CQC como o Repórter Inexperiente, com quadros pré-gravados, quando ninguém te conhecia. Está mais difícil agora, que você é uma pessoa famosa?
Danilo Gentili - Não me considero famoso porque estou sempre olhando para frente. E lá na frente ninguém vai nem lembrar que eu existo.
O jornalismo com humor tem mais credibilidade que o jornalismo tradicional?
Danilo Gentili - A pergunta correta seria: Jornalismo sério no Brasil tem alguma credibilidade?
Como você concilia a agenda de shows com o trabalho no CQC? Um não prejudica o outro?
Danilo Gentili - Sim. O CQC me ajuda muito porque cria um grande publico que quer me assistir. Mas ele me ferra muito porque não dá espaço na agenda para eu atender a todos. O publico deve agradecer ao CQC por isso. Meu show é uma droga.
O CQC é um programa que surgiu na Argentina e que possui ramificações em vários países. O CQC brasileiro possui alguma característica que o difere dos demais?
Danilo Gentili - Sim. Aqui se fala português. Errado.
É mais fácil encarar uma platéia de desconhecidos ou um político famoso?
Danilo Gentili - Eu prefiro a platéia. A platéia me dá dinheiro. O político famoso me tira.
Algum entrevistado já te ameaçou, ou te processou, por conta de alguma pergunta cretina?
Danilo Gentili - Já tomei soco no estômago, joelhada, dedada e cotovelada. Não gostei nem do soco, nem da joelhada e nem da cotovelada.
Como você vê o desenvolvimento do humor na TV brasileira?
Danilo Gentili - É uma luta entre o humorista, a edição final, e o publico que quer mesmo é assistir Zorra Total.
Qual é a importância da internet na consolidação da tua carreira?
Danilo Gentili - Toda! Foi na net que o público me descobriu, e é por ela que eu recebo fotos de fãs sem roupa.
Por duas vezes você visitou a Bolívia, para participar do Festival de Tinku*. Voltaria para o país para passar as férias, ao invés de ir para lá para levar porrada?
Danilo Gentili - Jamais voltaria a lazer... Mas confesso que queria levar alguns amigos pra eles conhecerem o deserto e todas as outras atrações.
Que outro país você gostaria de ir para conhecer, ou para fazer uma matéria? Por quê?
Danilo Gentili - Eu queria ir aos parques de diversões com as montanhas russas loucas, nos Estados Unidos, Europa, em qualquer lugar que tivesse.
Do pessoal que faz comédia stand-up, dentro e fora do Brasil, quem você mais admira?
Danilo Gentili - Eu admiro o Leo Lins. É um comediante do Rio, que tem textos excelentes.
Há o estigma de que as pessoas que trabalham com humor são engraçadas 24 horas por dia e pelo visto você é uma dessas figuras...
Danilo Gentili – Sim, eu sou engraçado 24 horas por dia. Danilo Gentili é meu nome artístico apenas. Meu nome real é Bozo.
*O Festival de Tinku acontece no mês de maio em Macha, na Bolívia. Na festa tradicional, a população dança, canta, bebe e faz encenações históricas, lembrando a ocupação espanhola. O ponto forte do festival são as brigas reais que acontecem no meio da rua. O objetivo dos confrontos possui dois motivos: para demonstrar a força dos guerreiros, e para alimentar a terra com o sangue dos combates.
A COMÉDIA DE UM HOMEM SÓ
A cena é a mesma: muitas pessoas reunidas na frente de um palco, aguardando pelo início do espetáculo. No horário marcado, abrem-se as cortinas, mas, em vez de uma peça teatral, de linguagem rebuscada, com uma produção de figurino e cenário pomposos, um banquinho e um microfone preso a um pedestal. Lá em cima, um cara, que bem poderia estar na platéia, passa a divagar sobre a vida, o cotidiano, a programação da TV, o cenário político... E a cada meia-dúzia de palavras, consegue arrancar os risos mais exaltados da platéia. A comédia stand-up tem conquistado muitos fãs pelo mundo afora, tendo seu grande “boom” no Brasil nos últimos anos.
A verdade é que este tipo de show de humor, em que o comediante aparece de cara limpa e interagindo com o público, não surgiu recentemente. No século 19, nos Estados Unidos e no Canadá havia o Vaudeville, que era uma apresentação de atrações diversas – podemos dizer que era um Britain’s Got Talent da época – onde o público via pequenas encenações teatrais, músicos, recitais de poesia, e por aí vai. Os comediantes eram responsáveis por entreter a platéia enquanto havia a troca de quadros. Piadas e improvisações com o público faziam parte do repertório. Por antecederem os espetáculos, eram chamados de mestres de cerimônia.
A partir daí, os humoristas começaram a ganhar mais destaque no “show business”. Os mestres de cerimônia passaram a se apresentar em clubes noturnos, antes de shows musicais, como uma forma de “aquecer” a platéia antes dos grandes números.
Não demorou para que a situação se invertesse: os bares eliminaram as bandas e passaram a apresentar só números de comédia. Como os bares e clubes eram ponto de encontro de intelectuais e pensadores, temas como política, religião e sexo passaram a ser explorados. Foi neste meio que iniciaram a carreira gente como o cineasta Woody Allen e o ator Bill Cosby.
O sucesso e a popularização da comédia stand-up aconteceu nos anos 70, com os programas de TV dando espaço aos humoristas. Uma boa apresentação na TV poderia ampliar o leque de oportunidades no meio artístico, e foi este o caminho escolhido por pessoas como Jim Carrey, Eddie Murphy e Robin Willians. Hoje, Seinfield, Tina Fey e Chris Rock são conhecidos mundialmente pelas participações em seriados e programas de TV como The Tonight Show e Saturday Night Live.
No Brasil, o pioneiro no gênero foi o ator José Vasconcellos – que nos anos 90 ficou popularmente conhecido como o aluno gago da Escolinha do Professor Raimundo. Posterior a ele, Chico Anysio e Jô Soares abriam suas apresentações teatrais e televisivas usando um formato aproximado do stand-up comedy original.
A nova geração do humor no Brasil se caracteriza pela fama alavancada na internet. Não raro pode-se encontrar no Youtube um vídeo gravado em uma câmera digital por alguém do público com mais de 500 mil visualizações. Os comediantes, que antes se apresentavam em teatros, bares e clubes ganharam a fama e hoje circulam pelo país fazendo grandes platéias gargalharem diante das suas percepções do mundo.
RINDO MUNDO AFORA
Deu problema com a bagagem? Perdeu os passes de trem? O Hostel é um muquifo? Afaste a zica e dê boas risadas nos melhores shows de stand-up comedy.
Nos EUA
Novva York: Caroline’s Club, Comedy Cellar, The Laugh Factory e UCB Theatre
Los Angeles: The Laugh Factory, Hollywood Improv, Comedy Store, The Ice HouseBoston: Comedy StudioDetroit: Mark Ridley's Comedy Castle
São Francisco: hungry I, The Purple Onion, Holy City Zoo.
Texas: Capital City Comedy, The Velveeta Room, Esther’s Follies
No Canadá
Toronto: Yuk Yuk’sMontreal: Just For Laughs (festival)
No Reino Unido
Jongleurs Comedy Club, The Comedy Store, The Establishment
Em Hong Kong
The TakeOut Comedy Club Hong Kong
OS DOGMAS DA COMÉDIA EM PÉ – O primeiro clube de comédia do Brasil
1 – O comediante só pode se apresentar sozinho. Jamais em dupla ou grupo.
2 – Só é permitido se apresentar com texto próprio. Não pode usar piadas que já caíram em uso popular ou foram recebidas pela Internet. Muito menos usar aquele truque muquirana de contar a anedota como se o fato tivesse acontecido de verdade, tipo “eu tenho um tio português...”.
3 - Não pode fazer personagem. Também não vale transformar a si mesmo em personagem ou usar figurinos engraçados. Use roupas que você usaria normalmente, no dia-a-dia.
4 – Evitar contar casos. O material deve ser preferencialmente de tópicos de observação.
5 – Deixar bem clara a sua persona. Não tente fingir ser quem você não é. Seja você mesmo, sempre. Se você é mal-humorado, seja assim no palco, por exemplo. Assuma o seu estado de espírito diante da platéia.
6 – Não é permitido o uso de trilha sonora ou qualquer tipo de sonoplastia.
7 – Não é permitido fazer nenhuma marcação de luz. Use apenas a iluminação básica do palco.
8 – Não é permitido o uso de cenografia ou adereço.
9 – Os comediantes podem e devem testar “material” novo diante da platéia. Vale desde improvisar tendo apenas o tópico em mente até ler as piadas, caso elas não estejam decoradas ainda.
10 – Não forçar a barra. Se você tem apenas cinco minutos de material, faça uma apresentação de cinco minutos e saia. Tudo bem. Não enrole. As apresentações, aliás, serão sempre de 5, 10 ou 15 minutos.
Fonte: Comédia em Pé
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